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- Dezembro 2008 (22)
SÉCULO XVII: “SERMÃO DO SEGUNDO MANDATO”
A análise prefixal deste sermão foi realizada numa edição de 1965, não encontraremos dificuldades quanto à compreensão da grafia vocabular.
Vejamos a produtividade prefixal desta obra, observando a Tabela 09.
Tabela 09: Prefixos do “Sermão do Segundo Mandato”, século XVII
Prefixos latinos |
Vocábulos “Sermão Do Segundo Mandato”. |
| A- AD- |
assente-se (2), assentar, atirava, atirou, atrevo, afirmar, afigura (2), ajuntamadmiráveis, advertência |
| AB- |
Absolver |
| CON- CO- |
consigo, contenta, contender, comparou, contudo, consentiu (2), confirmação, , confirma, concursocomutação |
| CONTRA- |
Contrapondo (2), contrapor, contrapôs |
| CIRCUN- |
circunstâncias (2) |
| DES- DE- |
desigual, desfaz, desafogando, desenganados, despegar-se, desamor, descuido, desquitou, deslealdade, desleais, desagradarem, desprezastes, desapego (3), desprezar, desenganemo-nos demanda (3), detivesse, depressa, debaixo, descreveu, despedio (de + ex + pedio) |
| DIS- |
discorrer, discurso (2), discurso (2), discorramos, |
| EM-/EN- |
entendem, enquanto(4), embebeu, entender(2), entendemos, encerra |
| ENTRE- |
Entretanto |
| IM- IN- |
imposto, imposta insígnias, inveja (2), intento, inferir, inferiremos, infere, inferia (3) |
| IM-/IN-(negação) |
impossível, impulso, impedeminexorável, injustiça, infinitamente, inquieta, ingratidão (2), ingratos |
| PRE- |
preceitos, pretenderam |
| TRANS- |
transferi, transeunte, transformai |
| PRO- |
proposições (3), propostos, protestar, proposição, prometia, pronunciar, prometi |
| RE- |
receio, resoluções (2), replicara, resolução, regalo (3), reparar, reconciliasse, reconciliando (2), reconciliar-te, reconciliar, reconciliado (2), reconheciam, resistir, recolhido, reconheceu (2), reconheço, respeito, resolução, rebate |
6.1 Prefixos produtivos e acepções
Percebe-se que os prefixos mais produtivos do “Sermão Segundo do Mandato” são:
· Os prefixos: A-, CON-, DE-, DES-, EM-, RE- e PRE- são produtivos desde o século a “Carta de Caminha” (século XV) até o presente momento da análise (Século XVII)
· Os prefixos CIRCUN- e DIS-, que até então não eram produtivos, nesta obra (Sermão Segundo do Mandato) passam a ser.
· Os prefixos: AD-, AB-, IN (sentido de falta; negação), IM- e IN- (sentido de movimento para dentro), PRO- e TRANS- mantêm sua produtividade no século XVII, estes prefixos começaram a ser produtivos nos corpora pesquisados do século XVI
Vejamos alguns exemplos:
Exemplo 01:“Sempre Cristo infinitamente, e sem nenhuma comparação, amou mais ao Padre que aos homens; porém, neste dia em que o evangelista singularmente lhes chama seus, foram tais os extremos de amor que o mesmo Filho de Deus fez por eles, que parece amou mais aos homens que ao Padre”. (Capítulo V)Infinitamente (advérbio derivado de infinitu), significa ‘sem fim’. Exemplo 2:“Quando Cristo e Barrabás foram propostos por Pilatos à eleição do povo, clamou o mesmo povo, solicitando pelos príncipes dos sacerdotes: -Morra cristo, e viva Barrabás. (Capítulo IV)
Proposto surgiu do latim propositus, particípio do verbo proponere surgido no século XVI.
6.2 Produtividade prefixal diacrônica: do século XV ao século XVII Vejamos a demonstração do aumento das ocorrências e da produtividade dos prefixos, servindo a Tabela 10 como exemplo.
Tabela 10: Produtividade dos prefixos latinos numa análise diacrônica
Prefixos |
OCORRENCIAS Século XV: Carta de Caminha |
OCORRENCIAS Século XVI: “O Auto da Barca do Inferno” e “Os Lusíadas” |
OCORRENCIAS Século XVII: Segundo Sermão do Mandato” |
|||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| A- |
34 |
52 |
12 |
|||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| AB- |
0 |
01 |
01 |
|||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| AD- |
0 |
02 |
||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| CON-COM-CO- |
010307 |
18 |
10 01 |
|||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| CONTRA- |
0 |
0 |
05 |
|||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| CIRCUN |
0 |
0 |
02 |
|||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| DE- |
23 |
17 |
08 |
|||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| DES- |
10 |
47 |
17 |
|||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| DIS- |
0 |
0 |
06 |
|||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| EM-EN-ES- |
040103 |
051205 |
0109 |
|||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| ENTRE- |
0 |
0 |
01 |
|||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| IM-IN- (negação)I- |
0020 |
01903 |
030070 |
|||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| IN- (mov. para dentro)IM- |
00 |
0502 |
1002 |
|||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| OB-O- |
00 |
31 |
00 |
|||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| SO-SUB- |
00 |
0801 |
00 |
|||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| RE- |
04 |
15 |
25Admin · 92 vistos · Deixe um comentário 10 Dez 2008 SÉCULO XVI: CANTO III de OS LUSÍADASHAMMES, Mirian Camões utilizou-se de várias fontes históricas para escrever Os Lusíadas, usando cronistas portugueses, como Fernão Lopes, e também de fontes literárias, como Eneida, de Virgílio, Inês de Castro e trovas de Garcia de Resende. O autor conta a história da viagem de Vasco da Gama e com isso toda a história de Portugal desde sua formação, dando destaque para as expansões territoriais e conquistas. No nível formal, está dividido em 10 cantos, cada um com número variável de estrofes. No século XVI, com o aparecimento das primeiras gramáticas que definem a morfologia e a sintaxe, a língua entra na sua fase moderna. Com Os Lusíadas de Luís de Camões, o português utilizado na obra, tanto na estrutura da frase quanto na morfologia, é muito próximo do português do século XXI, o que ocorrerá será uma pequena “evolução” de alguns vocábulos. Escolhemos o Canto III como amostragem, pois neste canto é que se encontra o lírico e célebre episódio da morte de Inês de Castro. Escolhemos a obra O Índice analítico de Os Lusíadas, de Antônio Geraldo da Cunha, que traz o fac-símile da 1a. edição e dele extrai os versos para o índice das palavras empregadas. Por ser uma obra diplomática, notaremos diferença na grafia das palavras e, no intuito de facilitar o entendimento, valemo-nos da edição de 2002, de Hêrnani Cidade, em que houve uma atualização ortográfica. Por outro lado, consideramos de relevante interesse trazer à tona as formas originais, como o emprego dúbio do v ramista, o ò (esse floral), vejamos: · A consoante ò era utilizada em alternância com s, exemplo: aòsi de assim, enòina de ensina, inòpira de inspira, neòte de neste, òoe de soe etc. · O u (latino) tinha também o valor da consoante v, vejamos: aleuantam (alevantam), auzinha (avisinha), agrauaua (agravava), etc. Vejam-se as ocorrências dos prefixos latinos encontrados no Canto III na Tab. 06.Vejamos a incidência dos vocábulos encontrados na obra Os Lusíadas: A- (46 ocorrências), AD- (02 ocorrências), CON- (13 ocorrências), DES- (43 ocorrências), DE- (09ocorrências), EN- (10 ocorrências), ES- (03 ocorrências), o prefixo IN- no sentido de negação (17 ocorrências), I- (03 ocorrências), o prefixo IN- no sentido de movimento para baixo (05 ocorrências), OB-(03 ocorrências), O- (01 ocorrência) PRO- (03 ocorrências), PRE- (02 ocorrências), RE- (15 ocorrências), SO- (08 ocorrências), SUB- (01 ocorrências), TR ANS- (02 ocorrências).Tabela 06: Prefixos latinos do Canto III de Os Lusíadas, obra do século XVI.
5.1 Prefixos Vernáculos X Prefixos Eruditos do século XVI e acepções“O Auto da Barca do Inferno” de Gil Vicente e Os Lusíadas de Camões foram obras escritas durante o século XVI, pesquisamos a produtividade dos prefixos em ambas e, fazendo a junção das ocorrências prefixais das duas obras, nota-se claramente que os prefixos vernáculos se fazem bastante produtivos, enquanto os prefixos eruditos pouco ou quase nenhuma vez aparecem:· enquanto o prefixo A- (vernáculo) tem um total de 53 ocorrências, o prefixo AD- (erudito) apresenta apenas 02 ocorrências· Enquanto o prefixo DES- (vernáculo) apresenta um total de 48 ocorrências, o prefixo erudito DIS- não apresenta nenhuma ocorrência· Enquanto o prefixo vernáculo SO- apresenta um total de 08 ocorrências, o seu correspondente erudito SUB- apresenta apenas uma ocorrênciaVisando facilitar a compreensão dos vocábulos com grafias diferentes da norma padrão atual, utilizamos ao lado da versão diplomática (CUNHA, 1980) a versão atual de Os Lusíadas (CIDADE, 2002), vejamos algumas ocorrências dos prefixos:Exemplo 11. Agora tu Caliope me enƒina, 1. Agora tu, Calíope, me ensinaO que contou ao Rei, o illustre Gama: O que contou ao Rei o ilustre Gama; Inƒpira immortal canto, e voz divina, Inspira imortal canto e voz divinaNeƒte peito mortal, que tanto te ama. Neste peito mortal, que tanto te ama.Aƒsi o claro inventor da Medicina, Assim o claro inventor da Medicina,De quem Orpheu pariƒte, o linda Dama: De quem Orfeu pariste, ó linda Dama,Nunca por Daphne, Clicie, ou Lucothôe Nunca por Dafne, Clície ou Leucotoe,Te negue o amor divino, como foe. Te negue o amor devido, como soe.(CUNHA, 1980, p.251) (CIDADE, 2002)O vocábulo immortal surgiu do latim immortalis, por sua vez derivado de morte. Vejamos: Imortalidade, immortalidade (1572), amortificado (XIV), amortificamento (XV), imortal, immortal (XVI). Imortal significa a não-morte, o que viverá para sempre, que não morre. O prefixo in- tem sentido de negação, ou seja, sentido contrário (a não-morte). Já o vocábulo mortal (que não possui prefixo latino) surgiu no século XIII, do latim mors, mortis. É um substantivo feminino que significa ‘fim da vida, falecimento, termo, destruição’.Exemplo 2 26. Eòte deòpois que contra os deòcendentes,Da eòcrava Agar, victorias grandes teue,Ganhando muitas terras adjacentes,Fazendo o que a òeu forte peito deue.Em premio destes feitos excellentes,Dulhe o òupremo Deos, em tempo breue, Hum filho, que illusòtraòòe o nome uòano Do belicoòo Reno Lusitano. (CUNHA, 1980, p.251) Despois significa ‘em seguida, posteriormente’. Do latim tardio depost, que deu origem às variantes depos (XIII) > depus(XIII) > depois (XIII). O vocábulo foi formado a partir do acréscimo do prefixo de-, às vezes confundido com des-, ao vocábulo pois: de + pois: despois > depois. Atualmente as formas variantes despois e depois são coocorrentes, embora só a última seja aceita pelas gramáticas e dicionários.O vocábulo adjacência é um substantivo feminino do século XVI que tem significado de ‘continuidade, proximidade’. Surgiu do latim adjacentia. Adjacente, ajacente (XV) > adjacência (XVII) > adjazer (XIX).Exemplo 3 32. O Progne crua, o mágica Medea, 32. Ó Progne crua, o mágica Medeia! Se em voòòos próprios filhos vos vingais Se em vossos próprios filhos vos vingaisDa maldade dos pais, da culpa alheia, Da maldade dos pais, da culpa alheia, Olhay que inda Tereòa peca mais: Olhai que inda Teresa peca mais!Incontinência ma, cúbica fea, Incontinência má, cobiça feia, São as causas deste erro principais. São as causas deste erro principais:Scilla por hua mata o velho pay, Cila, por uma, mata o velho pai;Eòta por ambas, contra o filho vay. Esta, por ambas, contra o filho vai(CIDADE, 2002.) (CUNHA, 1980, p.254)O vocábulo incontinência do verbo conter. Significa ‘ter ou encerrar em si’, ‘compreender, incluir’, conter surgiu no século XIII > contener (XV) de continere em latim. Incontinência proveio do latim incontinentia em 1572, evoluiu para incontinente no século XVI, do latim in-continens -entis > incontinenti (1899). Observemos que o prefixo in- que até então apresentava baixa produtividade passou a ser significativo.Exemplo 4 35. Não paòòa muito tempo, quando o forte Não passa muito tempo, quando o fortePríncipe, em Guimarães eòta cercado Príncipe em Guimarães está cercadoDe infinito poder, que deòta forte, De infinito poder, que desta sorteFoy reòazerse o inimigo magoado: Foi refazer-se o inimigo magoado;Mas com ƒe oòòerecer aa dura morte, Mas, com se oferecer à dura morteO fiel Egas amo, foy liurado. O fiel Egas amo, foi livrado;Que de outra arte poderá òer perdido, Que, de outra arte, pudera ser perdido,Segundo estaua mal apercebido. Segundo estava mal apercebido.(CUNHA, 1980, p.254) (CIDADE, 2002)Infinito é do século XV, proveio do latim infinitus (< in + finis). Refazer surgiu do verbo que no latim era facere > afazer (XIII) > desfazer (XIII) > desfeita (XVI) > desfeitear (1813) > desfeito (XIII) > fazedor (XIII) > refazer (XIII). Apercebido (perceber > percipere (do latim) > aperceber > apercebimento > apercebemento > apercebido (XV)). Exemplo 5 86. Deòpois que foy por Rei aleuantado, 86. “Depois que foi por Rei alevantado, Auendo poucos anoos que reinaua, Quando poucos anos que reinavaA cidade de Siues tem crecado, A cidade de Silve tem cercado, Cujos compôs o barbado lauraura: Cujos campos o Bárbaro lavrava.Foy das valentes gentes ajudado Foi das valentes gentes ajudadoDa Germânica armada, que paòòua Da Germânica armada que passava,De armas forte e gente apercebida, De armas fortes e gente apercebida,A recobrar a Judea já perdida. A recobrar a Judéia já perdida.” (CUNHA, 1980, p.251) (CIDADE, 2002)O vocábulo despois, como já foi explicado anteriormente, surgiu de: post > pois; de + post> depois/ despois. Alevantada surgiu do latim levantare, de levare ‘erguer’. Alevantado (XIV) > alevantamento (XIII) > alevantar (XIII).Perceber é um verbo que significa ‘adquirir conhecimento de, por meio de sentidos’, ‘entender, compreender’. Do latim percipere, originária no século XIII. Aperceber (XIII) > apercebimento, apercebemento XIV > apercebido (XV) é um adjetivo que significa ‘desprovido’.Recobrar pertence ao século XIII, tem significado de ‘adquirir de novo, recuperar. Surgiu do latim recuperare > recobrar > recobramento (IV)Exemplo 6 91. Morto despois Affonso lhe òucede 91. Morto depois Afonso, lhe sucede Sancho òegundo, manòo e deƒcuidado, Sancho segundo, manso e descuidado; Que tanto em òeus deòcuidos fé deòmede, Que tanto em seus descuidos se desmede Que outrem que mandaua era mandado, Que outrem quem mandava era mandado.De gouernar o Reino que outro pede De governar o Reino, que outro pede,Por cauƒa dos privados foi privado, Por causa dos privados foi privado,Porque como por elleò fe regia, Porque, como por eles se regia,Em todoò os òeus vícios conòentia. Em todos os seus vícios consentia(CUNHA, 1980, p.251) (CIDADE, 2002) O vocábulo despois já foi citado anteriormente (post > pois; de + post> depois/ despois).Descuidado pertence ao século XVI, derivou do latim descuidar > decuidadoso, > descuidar, descuido (XVI) > descuidista (XX)O vocábulo desmede pertence ao século XVI, do latim tardio medire > mediçooes (XV) > medida (XIII) > medidor, medidagem, desmede (XVI)Consentir pertence ao século XIII, proveio do latim consentire. É um verbo que significa permitir, tolerar, aprovar.Exemplo 07:123. Tirar Inês ao mundo determina, 123. “Tirar Inês ao mundo determina, Por lhe tirar o filho que tem preòo, Por lhe tirar o filho que tem preso,Crendo co òangue ƒô da morte indina, Crendo co sangue só da morte indignaMatar do firme amor o fogo aceòo: Matar do firme amor o fogo aceso.Que furor conòentio, que a eòpada fina, Que furor consentiu que a espada finaQue pode òustentar o grande peò 10 Dez 2008 DO LATIM AO PORTUGUÊS: OS PREFIXOS LATINOS NUMA ANÁLISE DIACRÔNICAHAMMES, MirianA língua portuguesa se originou do latim assim como as demais línguas e dialetos românicos. O latim falado foi a língua trazida para a Península Ibérica no século III a.C., em decorrência das conquistas políticas e dos avanços do Império Romano. A língua evoluiu devido aos diversos locais em que foi implantada e dos vários contatos com outras línguas, outros povos e outras culturas, como diz Coutinho (1969):Produto de uma contribuição tão variada, em que ao lastro primitivo, de humilde origem rural, se haviam sobreposto elementos diversos dialetais ou de outra procedência, esse latim encerrava já em si o germe da diferenciação, que se foi acentuando cada vez mais, desde que o adotaram como idioma comum povos tão diversos pela língua e pelos costumes. Foram essas transformações, que ele sofreu em cada região, que deram em resultado o aparecimento dos diferentes romances e, posteriormente, das várias línguas neolatinas. (in: TARALLO, 1990, p. 93-94).Na sua evolução, a língua latina precisou adaptar-se às necessidades de uso e assim ocorre até hoje: a sociedade evolui e a língua acompanha a evolução, criando, adaptando e dando novos sentidos aos vocábulos; esta diacronia nos possibilita diversos temas de pesquisa, por isso, neste trabalho, nos ocupamos com a evolução dos vocábulos que têm por base os prefixos latinos, sendo o objetivo investigar a produtividade dos prefixos e as suas acepções, sabendo quais prefixos desta ordem foram incorporados ou não-incorporados na língua culta escrita, as acepções que foram conservadas e as que perderam suas significações através do tempo.Para tal estudo, “pode-se dizer que há três vias para o estudo histórico das línguas: voltar ao passado e nele se concentrar, voltar ao passado para iluminar o presente, estudar o presente para iluminar o passado”. (FARACO, 1998, p. 75). A pesquisa tem a finalidade de acompanhar e observar a evolução da língua sem preocupação específica com uma das abordagens, mas compreendemos que o passado ajuda a entender o presente e vice-versa. Labov nos diz:Admitindo que o mundo da fala cotidiana é racional, não há razão para pensar que ele o foi menos no passado. Se há contradições no registro histórico, não temos dúvida de que elas podem ser resolvidas: o caminho mais plausível para tal solução é pela compreensão mais profunda do uso da língua na realidade do presente. Somente quando estivermos totalmente em casa no cotidiano lingüístico do presente poderemos pensar em nos sentirmos em casa no passado. (in: FARACO, 1998, p. 77)Acreditando que o estudo do presente nos ajudará a compreender o passado, a pesquisa teve início com a seleção de 20% das revistas VEJA dos meses de Janeiro de 2000 a Abril de 2003. Optamos por esta, por se tratar de uma revista que emprega a língua culta, além de estar entre as de maior circulação nacional. O trabalho teve como foco as “Cartas ao Leitor”, algumas propagandas relevantes, as “Matérias de Capa”, e não deixamos também de contemplar alguns artigos em que houve maiores ocorrências dos prefixos latinos.A derivação atribui às bases derivantes um novo significado com os elementos formativos, ou seja, com os prefixos. A derivação pode ser prefixal e sufixal, porém neste estudo será abordado somente o prefixo latino na sua análise diacrônica, afinal:Há na história de todas as línguas um período, naturalmente curto, em que, a par do vocábulo usual, ainda se não perdeu totalmente a consciência do termo velho, que vai desaparecendo. Efetivamente, as palavras não morrem de um golpe. Vão sendo pouco a pouco abandonadas, em benefício de termos novos, até que perecem e ficam sepultadas no seu cemitério próprio, que são os dicionários. (Lapa, 1970, p.46)
10 Dez 2008 SÉCULO XXI: REVISTA VEJAHAMMES, Mirian Alguns prefixos tiveram grande incidência, enquanto é baixa a incidência de outros. Logo abaixo encontramos as ocorrências levantadas dos prefixos latinos que serão materiais de estudo quanto a sua produtividade. Nossa preocupação com os dados da revista não incide na quantidade de prefixos encontrados, e sim, em quais prefixos que estão sendo utilizados atualmente e quais caíram em desuso. Todas as ocorrências abaixo foram retiradas da fonte de pesquisa: revista Veja, referentes aos meses de Janeiro de 2000 a Abril de 2003, conforme a seleção. Tabela 01: Ocorrências dos prefixos latinos na Revista Veja de Jan/2000 a Abr/2003.
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